terça-feira, fevereiro 06, 2007

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Sentir, calor, paixão, amor...que belas palavras, mas que não me trazem consolo, não sei o que elas representam em alma, a sua simbologia determina sentimentos ousados que não se hospedam neste espaço por alugar.
Lágrimas que escorrem desesperadas, porque não encontram o leito onde possam desaguarem.
Vazio, é o que me define, o sorriso roubado, a escrita que permanece obscura, o grito que se quer soltar.
Quero viver, sair desta agonia, não quero ouvir, falar, quero rir de novo, ser eu, ser quem conheces, o dito sorriso que contagia, liberta-me, deixa-me ser eu....
Preciso de dançar, beber o suco que me alucina, sentir o que não senti.


Love can be like bondage, seduce me once again




terça-feira, janeiro 30, 2007

Cortejo


Caras, que se moldam, vulgarizam-se perante adornos que enfeitam o seu aspecto medíocre.
Passeiam com os seus rostos, com o atrelado que os une a semelhança da mesma espécie.
Desfilam com o seu ar empertigado, buscando os olhares cegos que valorizem a sua imagem.
Marcham em sentido único, ultrapassando as proibições, soltando-se no tráfego sujo.
Desencontro-me desta caminhada, e deambulo até a ti, tu que me tornas frágil, desprotegida, sem a minha frieza guardiã.
Trilho sem rumo...

terça-feira, janeiro 09, 2007

Lady Ice

Congela-me como se fosse uma peça envolvida pela técnica de criotomia.
Não me reanimes, o suco de nitrogénio esfriou aquele reles órgão que nos dá o viver, mas não o sentir.
O formol que inactiva a malignidade das minhas vísceras tornando-as límpidas, inerte ao teu toque.
Fragmentos parafinados de tal dureza quando se resiste as malícias daqueles que provocam a laceração de sentimentos ímpios.

segunda-feira, janeiro 08, 2007

Putas



Putas desvairadas que percorrem na noite cega a procura de quem as alimente.
Seus leitos imundos, ocultando vidas lacrimosas, apelando que as sustentem.
Seus corpos sorriem, suas presas babam-se naquele meio onde o negrume padece.
Palpitam os sexos, o rejubilar de uma nova sentença, o ditar de uma noite cálida.
No auge, solta-se aquele bafo pasmaceado de mais um momento inglório.



Autor da Imagem: Graça Loureiro, em Olhares.com

Amelie


Como um dinamismo orgânico que ferve, sentindo a ausência de uma presença que sucumbe a cada instante...
Ruídos, sons mudos que me atordoam, o que é feito de mim?
Perdida em falsos sorrisos, monólogos que visam a decadência de um ser inaudito...
Quero despertar, libertar-me do imundo da lascívia, sou quem não sou, sou quem quer ver, não me procurem, porque já desvaneci.
Tenho-te no meu aconchego, sentes o meu cheiro, refugia-te em mim ser frágil, não percebes o que sinto?
Solta-te, vive o que é teu, o meu mundo, sou eu, o egocentrismo que me ofusca!


Petit Amelie...c' est moi que reste ici...

terça-feira, dezembro 19, 2006

Olhei para ti


A beleza que se distinguiu naquele meio, o sorriso que cativou, o corpo que dançou com o meu, o olhar que se perdeu no teu, não sabes de quem falo, és a harmonia que se tranfigura na forma feminina...

Breathe


Um apego mundano sem distinção, olhar sóbrio que recai num corpo lesado em estado de erupção.
Os gemidos surdos que repousam numa manta álgida, e nela se soltam, provocando lamúrias de alucinação.
Os espasmos oscilam em ápices de alienação, que surgem do íntimo de um ser por desbravar, com ânsia de saciar algo que ainda não o consumiu.
Bocas enlaçadas desfragmentam-se no ondular de seivas de espuma amarga.
No término do momento em que o inconsciente desperta, vislumbra-se a meiguice de uma expressão que se mantêm na fragilidade desta existência.

terça-feira, dezembro 12, 2006

Deambulando



Sob o teu olhar comprometido
num estender de mãos dançantes,
encontro a envolvencia musical
que vibra no vácuo,
coabitando num universo paralelo
à imagem de um momento efémero.

Vês a musica a entranhar-se
sob movimentos frenéticos do corpo,
olhar lascivo que aclama o frenesim
do cintilar de cada corda,
a batida que ecoa na alma,
a voz que emerge do vazio.

É a tua voz que se transforma em melodia afagando a tempestade num raiar de emoções.

Numa sinfonia esfuziante
componho a pauta da vida
consumindo cada elemento existente em ti.
De forma desajustada percorro a tua seiva
e nela permaneço estado ébrio de luz.

terça-feira, dezembro 05, 2006

Opressão





Cansada, de ouvir vozes oprimidas, rostos sem afecto, sem impressão, são como doença sem diagnóstico.
Descurados se encontram, tentam iludir ideais que as suas próprias mentes antagonizam.
Imagens secas sem percepção, analisadas macroscopicamente, coradas por um reles banho de devassidão.
Olhares fixos perante uma menina que contesta o aclamar do seu ser.
Deixem-me viver, senão me querem amar, continuarei refugiada na minha realidade onírica.



segunda-feira, dezembro 04, 2006

Even after all




Momentos que são recriados em imagens, palpitam naquele anoitecer, em que as águas mortas assistiram ao despertar de sentimentos que se encontravam em cativeiro.
Sentados num semicírculo onde se iniciou a intriga, aguardo pelo seu desfecho.
Um sorriso que brotou em mim, o teu que insiste no meu pensamento, aquela lua encoberta que teimava em não percorrer a direcção do meu olhar.
Fez-se a noite, e nela se adivinhava que tudo iria desmoronar, e assim se realizou…
Uma tarde em que o lago acompanhou os meus sonhos, o circulo quebrou-se.

Mais um adeus….

O meu sorriso será sempre belo!