Quarta-feira, Outubro 21, 2009

Conto Erótico



Apetece-me foder.
Tenho o caralho inchado de tanto pensar. São 3 da manhã. Onde é que vou arranjar uma puta de uma gaja para me foder agora? Sim, hoje sinto-me passivo. Prefiro bater uma, a ver um redtube. Ao abrir a página, deparo-me com a diversidade de vídeos que tenho à escolha nas diferentes tipologias de sexo, desde o mais banal, até aos fetiches mais estranhos que me poderiam ocorrer. A mente humana é mesmo estranha. Será que o facto de a libido nos levar a querer experimentar de tudo um pouco nos conduz inevitavelmente a este abismo que nos leva ainda mais violentamente a desejar outras promiscuidades de um âmbito, digamos, menos natural!? Escolho um vídeo amador - a pornografia esta cheia de artificialidade e a minha já é o quanto baste. Prefiro escolher algo que se assemelhe à minha realidade.
Vou dormir. Acordo cheio de tesão, acabo de ter um sonho onde visualizo duas gajas a comerem-se, o sonho de qualquer homem. Não as conhecia, elas deixam-me entrar no seu quarto, pedem-me para me sentar no sofá e delicio-me a ver os seus corpos a roçarem um na outra. O quarto transpira a sexo, os risinhos e o frenesim entre ambas excitam-me ainda mais. Elas sabem que me estão a provocar um desejo intenso. O despertador toca e um gajo já nem se pode regalar com os sonhos. Tenho que ir trabalhar.
Chego ao estúdio e avisto Betina, uma gaja que ainda não comi. Os seus seios fartos e arrebitados e seus lábios deliciosamente carnais dão-me insónias e, hoje, está com um decote fenomenal. É uma mulher tímida, mas com um olhar avassalador. Nela, tudo transluz sensualidade. Sinto o seu cheiro, o seu odor corporal, como se as nossas ferormonas estivessem em sintonia.
- Bom dia Betina! A banda já chegou para iniciar a gravação?
- Ainda não, diz ela com um sorriso gracioso que me envolve.
Finalmente, um projecto decente a produzir, uma mistura entre música experimental, acid jazz, electrónica e dub. Ultimamente só me têm surgido projectos na vertente pop.
A cultura musical dos portugueses deixa a desejar, artistas reconhecidos internacionalmente, não são sabidos em Portugal, assiste-se ao consumismo da música comercial que se embarca nos ouvidos desprovidos de sensibilidade musical. Enfim, quando se quer apostar num género diferente, o público não adere. Gostaria de saber que género de sentimentos é que a música provoca na audição de cada pessoa.
Toda a envolvência musical enreda-nos a cada momento, a musicalidade transpõem-nos para vivências que nos recordam algo passado ou, simplesmente, a mesma música toca-nos de forma diferente.
A música eleva-me a um estado de consciência diferente. Por ela, fiz escolhas que mudaram a minha vida, nomeadamente o meu casamento. Conheci Laura numa digressão. Tenho saudades de fazer som ao vivo, uma vida completamente desregrada, vários destinos, várias mulheres e muitas fodas, vivendo o lema que perdura na estrada, - muito rock’n’roll.
Laura era uma produtora de espectáculos que conheci num concerto que fui produzir de uma banda que acompanhava na altura. Chegou-se a mim para me perguntar quando terminava o sound check, queria saber o que queriam jantar os elementos da banda.
A sua figura espevitou-me o olho, tinha longos cabelos encaracolados, pele morena, olhos escuros, e as suas vestes esvoaçavam sobre o seu corpo. No jantar, não conseguimos evitar a troca de olhares. Começava a ter o desejo de percorrer o seu corpo. Olhava para a sua boca falante, e só me apetecia cala-la com um beijo. O espectáculo termina, e perco Laura de vista - Foda-se, quando é que voltarei a vê-la novamente?
Passados uns meses, reencontro-a num festival de Música Moderna em Lisboa. Ela reconhece-me e vem cumprimentar-me.
- Olá, Vasco, faz tempos que não nos víamos!
Desta vez não podia perdê-la de vista, então perguntei-lhe em que hotel estava hospedada. Curiosamente no meu.
- No fim do festival, aceita tomar algo do bar do hotel?
Disse eu um pouco desajeitado. Ela aceita.
Termina o festival, dirijo-me de seguida ao bar do hotel e Laura chega pouco tempo depois.
- Toma alguma coisa, Laura?
– Sim, um ginger ale. Podes tratar-me por tu.
Distanciados da formalidade, perdemo-nos na conversa, entre música, esoterismo, sociedades secretas, maçonaria, nova ordem mundial, ano 2012. Divagámos até onde a mente nos permitia. Era agradável falar com Laura, uma mulher muito astuta, e inteligente. Estava a ficar completamente rendido a ela.
Bebia trago a trago aquele ginger ale. Só de a imaginar aquela bebida doce a molhar os seus lábios carnudos, ficava teso.
- Vou subir para o quarto, estou um pouco ensonada. Acompanhas-me?
Bem, fiquei na dúvida se era para segui-la até ao quarto, ou se era um convite para pernoitar com ela.
Chegados à sua porta, ela pega-me pela mão, e convida-me a entrar. O quarto parecia que estava a nossa espera. Sob uma luz soturna despe a sua roupa, a sua silhueta pinta a parede. Olha-me, baixa o seu olhar para a minha boca, tocando seus lábios nos meus. Ela deitou-se sob o meu dorso. Carinhosamente, passei a minha mão sobre os seus seios, senti a sua pele a vibrar, os seus mamilos a ficarem firmes somente com um simples toque, a sua face começou a ficar rosada, um pequeno arfar surge, e todo o seu semblante transparecia satisfação. Só me ocorria o desejo de a possuir, ter o seu sexo a roçar no meu. Toco na sua intimidade húmida, soltando-a num suspiro mais caloroso, sinto nela a vontade de me ter. Sentindo as suas pernas trémulas, o suco escorrendo pelas suas entranhas, senti o seu odor na ponta dos meus dedos, consumindo a sua essência, o seu olhar pagão, os lábios que se entregam no ardor do meu sexo, a língua que escorre o leito da minha erupção. Consumidos pelo cansaço provocado pelo nosso êxtase, adormecemos.
Acordo de manhã. Ela já não se encontrava na cama, Olho para o telemóvel, tinha uma mensagem a dizer que tinha saído para trabalhar.
Daí em diante, a nossa relação evoluiu. Namorámos pouco tempo, e decidimos casar. Casámos somente por civil, a nossa falta de crença levou-nos não optar pelo casamento religioso.
Chego a casa, estafado da gravação. A Nené não vem cá hoje, ficou com a mãe. A sua adolescência intriga-me - ocasionalmente, é a voz da minha razão. Condena os meus actos promíscuos que amaldiçoaram a minha relação com Laura. Tivemos um casamento atípico, as nossas profissões não permitiam que passássemos muito tempo juntos, não lhe sendo fiel. O meu ser libertino desperta-me estar com outras mulheres, o meu lado devasso não é coerente com o amor que sinto por Laura.
Hoje apetecia-me comer uma miúda que conheci numa rede social potencialmente sexual. Denota-se claramente o interesse falso e exposição da maior parte das pessoas que usam este serviço. Eu faço por prazer, pela boémia.
É mais nova 10 anos. Não estou na crise de meia-idade mas fascina-me estar com uma mulher mais jovem. Ela sentiu-se curiosa em foder um homem mais velho. Saboreou a minha verga, deliciada, a sua língua enreda sobre a minha glande latejante. Seus seios vigorosos descaíam no meu peito, emergindo-lhe a vontade de ser possuída
O sexo fortuito é uma forma de consumismo, um regalo para o nosso corpo, todavia, quando este se cansa de o receber, sente-se oprimido.
A minha vida preenche-se com a música, a minha filha, e o meu amor perdido por Laura. Se por um lado sinto-me muito preenchido, por outro, falta-me o amor e a estabilidade. Escolher uma vida lasciva, não foi o meu melhor caminho.
O meu corpo deslavado funde-se com o de várias mulheres, é como se fosse uma relação de simbiose, dar, sem haver troca.
Percorro os meus dias, em busca de algo que me defina. Entre mulheres e desamores, desafio-me para mais um dia.
Hoje não me sinto homem.

Domingo, Setembro 06, 2009

Vício



Por rodopios, luzes ofuscas, sorrisos alterados e pernas balanceadas, percorro a noite crua.
O agir fica disperso e o terno avessado.
Falo para mim mesma, já não sinto, nem faço sentir.
O hábito da carne nua sem prazer.
As vezes tenho medo de mim mesma.
Que vício!

Em vão!

Domingo, Agosto 09, 2009

Fuck Myself



Quando se sente alheio ao prazer exteriorizado por outrem, os dedos vagueiam em prol da mente que se liberta em espasmos.

Diverte-me os pensamentos levianos, algo visual, uma matéria amórfica que me toca.

Os encontros fugazes, despidos de ardor e sentimento,

roçando sobre os corpos deslavados, impugnados por nada sentirem.

Sacia-me serenamente meu estado ímpio.

Sou-me tão escassa como uma prímula

Sim, por vezes, é preferível foder-me a mim mesma.

Sábado, Julho 11, 2009

Alive or not Alive



Fui de encontro a ti propositadamente,

fiz de conta que tropecei, o destino, esse malfeitor,

testou o sentimento que outrora sentira.

Estavas baixado, talvez à procura de algo,

ou simplesmente o delírio de álcool, ou fumos inalados se tivessem apoderado de ti.

O encontro foi imediato,

ergueste, e vens de encontro ao meu olhar.

Senti ternura nos teus olhos,

a música que se fazia ouvir intensamente, estagnou,

o momento fez-se vagarosamente,

o toque de conforto nos nossos braços fez-se simultaneamente.

Desde aquele momento, soube que seria a última vez que iria avistar-te,

permanece a magia que há muito fora despertada,

há coisas que nem o tempo apaga.

Os impulsos sentem-se no mesmo local onde 'tudo' começou.

Se a imagem reflecte o sentimento, a nossa reflectiu por breves instantes o que se sentiu.

Sábado, Março 07, 2009

Libertina




Despiu-se na minha boca,

Friccionou o seu corpo contra ao meu,

Apanhando-me desprevenida,

Numa noite já perdida entre luzes, seivas alcoólicas, delírios, senti a sua pele segredando na minha,

O toque dos seus lábios,

O nosso fervor encontrava-se no auge.

No clímax do momento, entrego-me a ela.

Os olhares lascivos, entretidos no nosso prazer curioso, algures recalcado.

Fugaz, libertou-se de mim, ficando a desejar o fulgor que me provocou.

Break the Silence


Rogai sob essas mentes deslavadas. O meu afecto será inútil.

Murmuro sobre o Tejo, sobre as águas escarradas pelo povo libertino.

Não há fado que contemple o suor, a vinha, o aroma derramado pelo Douro.

Multiplicidade de vozes que praguejam numa cantada fervorosa.

O podre que escorre pelas ruas.

As multidões silenciosas e apressadas convergem e divergem pela sua diferença.

Desalojados de mente, convertem-se à fome urbana.

Suas bocas suturadas calam-se perante as vozes sociais que se rompem do pensamento à palavra.

A voz é fétida, calem-se os ouvidos!

Quinta-feira, Fevereiro 12, 2009

Like a bitch


Soberbos de sentimento, fartos de foder, de promiscuidade, de dar o seu corpo em vão.

O feder do sexo embrenhado na sua pele, o olhar que se resguarda na noite sedenta.

Seus corpos contraem involuntariamente perante a pseudo sensação de prazer que percorre os meandros da sua carne insípida.

Esporram-se os desejos.

Venham-se suas putas, lacrimejem sob o vosso pudor.

Em convalescença.




Domingo, Dezembro 07, 2008

Naked




Apetece-lhe copular,

as suas entranhas suspiram pela rigidez de um corpo estranho a embrenhar-se pelas suas carnes leitosas e macias,

a volúpia do toque dos seus dedos não a sacia.

Os seus lábios desenham o prazer sobre a pele,

mordisca suavemente pelo pescoço,

as mãos deslizam sobre ela, supremida contra um corpo, sentiu-o duro.

Os corpos roçam, procuram o limiar do êxtase dos seus fulgores.

Embebedo-me em mim.






Domingo, Novembro 23, 2008

Nude




Sucumbi-me no tempo, o meu corpo estagnou,

a mente que dispara sobre o mal que se embebeda no surto da loucura.

Ligações desviadas, transições mal interpretadas, o riso gélido e sulfuroso.

Caio na mágoa do esquecimento,

sinto-me a discernir sobre o que é, e o que não é.

Estou a pregar fora do meu tempo.

Movimentos que me impulsionam ao auge da demência,

o frenesim do meu ser, a sombra que se desenha no escuro,

a fumaça ténue que se desvanece em mim.

O desejo, o desejo, o desejo, ai, é tão bom sentir o desejo,

que percorre nas nossas mentes tão medíocres, e desprovidas do não sentir.

Inviolável é o meu desejo.



Terça-feira, Setembro 30, 2008

Desnudos


Corpos desnudos, desmistificando as suas essências a cada toque, desflorando os seus sentimentos idílicos.
A anarquia biológica rege-se, espasmos avultam-se num ritmo crescente, os gemidos que se afagam, a entrega coincidente.
As línguas que se desenrolam nos corpos adjacentes, a minha que desperta o fulgor do âmago do prazer.
Envolvidos num só, os cheiros infiltram-se, as salivas diluem-se, acto que se transforma em sentidos.
Arrepio das carnes, os seios que se exaltam perante o beijo adocicado.
Degusto a tua manifestação provocada pela fricção dos meus lábios, descortinando-se em mim o teu vigor.
Tecendo-me em pleonasmos, em que o sentir meramente se coaduna à transversalidade do profano.







Quinta-feira, Setembro 11, 2008

She's lost control


Na sua essência desvairada, percorrida pela inocência, ofuscando o que não se quer ver.

A mulher e o hábito, desprendesse do seu corpo inerte, sem refúgio, aloja-se em si mesma.

Impávida, crua, em estado nulo, não se serve das suas breves vontades.

Em apoptose cerebral, rasga-se, consome-se, toma-se o puro pelo devasso.

Ela encontra-se no seu apogeu.





Sábado, Agosto 23, 2008

Devaneio



Breves devaneios que por mim se escondem,

pairando a imagem que não reflecte a essência que se pronuncia em mim.

Rostos desconhecidos enlaçam-se,

desprende-se a beleza sobre eles,

a indiferença perante o visível e o apetecível.

Suspiro, o meu sentimento em estado de latência ressurge no teu toque despido.

O olhar que deturpa o ser estampado em mim.

Ser o que se vê.

Alguém está a espreita…






Terça-feira, Julho 15, 2008

Brotar



Devassa, ali se encontra, a espera que a saciem, com a sua dança sensual, seduzindo o seu próprio desejo animal.

Sob o ritmo enlaçado da sua presa, esta consome o seu veneno entregando-se a luxúria de um momento que a apraz instantaneamente.

Desabrochando as suas vestes, os movimentos interruptos abandonam o seu corpo, antevendo os seus actos promíscuos que outrora a possuíam, o seu corpo reveste-se na graça do amor.

Define-se o que não se sente.






Quinta-feira, Junho 19, 2008

Despido



Tenho sede, sedento de ti, sede do que não tenho.

Teu ar de libertina desperta-me, ser que se refugia na clausura do nada sentir.

Sinto as blasfémias que disparas da tua boca, esses lábios tão delineados, e deliciosamente carnais, sempre que me pedes para te possuir, desejo não te dar esse prazer.

Estendida no teu doce leito, acariciando tua pele acetinada, evocas-me com o teu olhar.

Esta noite segue-se em vão, as palavras repetem-se, os desejos acomodam-se, o acto não se consome, e deixas-me despido, um mero
regozijo ao teu dispor.






Sexta-feira, Janeiro 18, 2008

Entrega


Ela deitou-se sob o meu dorso, carinhosamente, passei a minha mão sobre os seus seios, sentia a sua pele a vibrar, os seus mamilos a ficarem firmes somente com um simples toque, a sua face começou a ficar rosada, um pequeno arfar surge, e todo o seu semblante transparece satisfação, só me ocorre o desejo de a possuir, ter o seu sexo a roçar no meu, toco na sua intimidade húmida, soltando um suspiro mais caloroso, sinto nela a vontade de me ter.
Sentindo as suas pernas trémulas, o suco escorrendo pelas suas entranhas, sentir o seu odor na ponta dos meus dedos, consumindo a sua essência, o seu olhar pagã, os lábios que se entregam no ardor do meu sexo, a língua que escorre o leito da minha erupção.
O seu olhar afogueado que ainda sente a chama quente, o querer possuir um ínfimo do corpo que não acompanha o prazer mental.






Terça-feira, Janeiro 15, 2008

Desire



Na noite cálida, o resvalar dos olhares perante a indiferença dos sentimentos alheios, a dualidadade que se reflecte no olhar empobrecido de falsa tentação.

Os corpos revitalizados pelo suco vertiginoso que se eleva no acto libidinoso.

O exsudado que percorre entre o seio da voluptuosidade consumando o acto da contiguidade.

Os aromas que se misturam, brotam na sua decadência mortal.

O âmago que se desprende do hábito imoral, e as vestes que se exalam perante o toque libertino.

No romper do crepúsculo os corpos amanhecem, figurando a apetecível consolação.

Segunda-feira, Dezembro 17, 2007

Em tua memória


Da terra brotaste, a força telúrica herdaste.

Das tuas mãos se ergueram as vinhas, o pão que amassaste, o vinho que adocicaste, e os frutos da terra acariciaste.

Entre o vale as tuas raízes criaste, nele teus cânticos se ecoaram, até ao último fôlego que suspiraste. E à terra voltaste.

Até sempre.

2007/XII/15

Segunda-feira, Novembro 12, 2007

Desassossego


O desassossego, lágrimas que o definem, jorram fluentemente, descaindo num rosto desprotegido pela vida leviana que o tomou.

Prazeres promíscuos cultivados numa beleza desconcertante, destino que se prolonga numa existência infundada em volta do seu escárnio.

Sorrisos inocentes que se revelam, brotando em toques mordazes, despertando a vontade de sentir o que ainda não se sentiu.

Fragmentos de vida que se retratam em marés negras flutuam sem rumo.

Pensamentos incultos, numa vida mal fadada.

O pressentimento, o olhar que penetra e dilacera o sentimento mais fraco.

O amor, um desassossego.



Segunda-feira, Julho 02, 2007

Vénus



Sentimentos promíscuos afloram a cada instante.
Vénus, deusa imaculada do prazer, em seu estado imperial de podridão sacia-se dos corpos inocentes corrompidos pela vontade de provar carne madura.
Volúpia, a entrega, o desonrar de sentimentos alheios.
O compromisso quebrado.
A união do fruto carnal.
O desejo intermitente lateja momentaneamente, o apego do corpo, o sentir profundamente, o agarrar, o querer fundir, linhas que se curvam perante o prazer, doces servos a ela se entregam, famintos, por uma doce gota que alimente o seu ego.
A bonança sexual reina misericordiosamente. O rejubilar dos sexos, prazeres entre carnes homogéneas traduz o fim da sensualidade.
Quebra-se o instinto, rompem-se barreiras a procura de novos prazeres mundanos, em teu olhar, escondem-se míseras afectividades perante aquilo que te adorna.
Descartando os teus servos como se fossem meros requintes de uso banal.

Terça-feira, Maio 01, 2007

Líbido




O cheiro do teu corpo que se mistura no meu, o arranhar da tua barba no meu rosto, querer cravar os meus dedos nas tuas costas, deslizar as minhas mãos sobre a tua pele suada, apertar-te contra os meus seios, o consumar de um acto libidinoso.
Movimentos mecânicos, o ondular ritmado provocando oscilações no meu suspiro ofegante.
O fundir dos corpos, sugar os teus lábios, aninhar-me em ti.
A mistura entre um paralelo que é o real, e o apenas, querer sentir o prazer, uma presença inconstante que vagueia ao encontro do toque inerte.



Terça-feira, Abril 17, 2007

Desamor



Não quero acordar,
Adiar o meu despertar por mais um dia, talvez amanhã, dias seguintes, por um tempo indefinido até me esquecer de ti.
Não quero acordar para mais um dia como ouvinte de lamúrias, de mentes debochadas
que poluem o meu mundo.
Apetecia-me gritar desalmadamente, um Ai que outrora fora de prazer, agora manifestando-se como dor.
A ausência da tua presença.
Não quero acordar para não sentir o afecto, o amor que se incutiu em mim, a vida é madrasta, fagocitou a tua paixão de mim.
Não quero acordar, activar o pensamento constante que me lembra de ti, os momentos vividos, toda a cidade que se percorreu, que me recorda tanto de ti.
Imagens bucólicas, olhares de censura que me despertam deste sono profundo.
Em estado amnésico, ou anestesia mental, era assim que me queria sentir, prender a minha cabeça ao mundo do sonho, mantê-la refém ao passado vivido.
Editar o meu sentimento.
O amor é uma patologia sem diagnóstico de cura.
Tive que acordar, e repetir mais um dia.



Segunda-feira, Abril 16, 2007

Rosa Negra


Rosa negra caramelizada, pálida sem afecto, o teu odor nauseabundo impregnado em cada pétala emurchecida.
És rosa pagã, espetando no coração fiel de quem te ama.
A tua rosa murchou, a água que embebia o teu corpo envenenou-te.
De ti escorrem gotas amargas, contaminas a cada desabrochar de um rebento teu, a tua flacidez ambulante misturada nas partículas levianas que repousam sobre os teus espinhos.
Espinho que craveja na carne fraca, ele aguarda por um suspiro teu, do teu bafo impuro, que já fora cheirado por uma reles inspiração.


Do you like that bitch?



Quarta-feira, Abril 04, 2007

Brain Masturbation


A afasia de uma masturbação cerebral, rasga-me como se fosse um trapo, um corpo a servir as tuas breves vontades.
O trilho da inocência perdida, só me resta o confessar os meus pecados, beijar o bem, e rezar por aqueles que se encontram perdidos.
A minha penitência é não te ter. Pedir o teu colo, o teu resguardo, são oferendas que não mereço.
Queria ser como uma bailarina do Crazy Horse, enfeitiçar-te com a minha dança sensual, fazer da tua masturbação, um acto real.
A pornografia literária consome-me, sinto um espasmo a cada palavra que envolve as entranhas da chama quente, a repulsa de quem não sente.

Segunda-feira, Abril 02, 2007

Summer Paris



A menina que se transforma num olhar
Sou eu, apresento-me a todos =)

Autor da Imagem: Summer Paris
Edição: Summer Paris

Segunda-feira, Março 26, 2007

Divagando


Olhando para a minha triste poesia, esboço um enternecido sorriso, por todas as mágoas vividas, com certeza que serão palavras repetidas, pois a vida é feita desta inconstância de sentimentos, ora alegres, ora tristes, onde permanece o sorriso e a mágoa.
Por vezes encontro-me perdida no meu próprio pensamento, numa realidade em que o sentir se sobrepõe a acção mecânica do agir.
Sentindo dicotomias adversas no espaço mental, que habita num universo emergente havendo necessidade de explorar uma nova direcção viável ao conhecimento.
Termos descomplexados surgem em cada linha desta criação um pouco vaga, talvez inconsciente, são palavras sem expressão.
O vício de ter alguém que nos acompanhe neste fado solitário, somos um ser uno, termos quem nos acompanhe, no entanto, culminam vozes interiores que se propagam em nós mesmos.
Ter um desejo desconhecido, remanescente à minha própria identidade.
Esperando por ti…


Segunda-feira, Março 19, 2007

Sozinha


A cada instante em que o sol mergulhava naquelas águas gélidas, o meu sorriso emurchecia, enquanto aguardava por uma imagem ausente.
O rubor provocado pela queimadura que me implantaste no lado mais frágil da minha existência, resfriando o calor que outrora me fizeras sentir.
O declínio das palavras que empregaste em mim, não se moldam mais, corromperam-se, tal como as tuas falsas vindas até mim.
Digitalizar o caos mental, que se propicia a cada palavra, sem fervor, inerte, sopro escasso, submersa em memórias que me transportam ao desvigoro da fantasia.
Antevisão de acontecimentos que não se recriam, abafam-se num breve devaneio.





Quinta-feira, Março 15, 2007

MAYDAY



Em ruptura de vida, de pensamento, um pedido de socorro, o próprio que se afoga no que não constrói.
O sentir que não se conjuga à sua imagem, o deambular entre rostos conhecidos, e não conhecer ninguém.
O riso esforçado, as palavras de alegria que atenuam a dor que sente, daquilo que não sente.

A mediocridade daqueles que aguardam por um esforço em vão, o semblante mesquinho, prepotente, que surge na fraqueza do seu meio.
Ter um momento fugaz, a procura de um consolo que não reside naquele que queremos que nos console.
Gostar da ignorância dos sentimentos.

A carência, e a solidão que jaz em cada partícula do meu refugio, torna-me vulnerável, escasseando a vontade de buscar-te.
Cansada de esperar por ti…



Quarta-feira, Março 07, 2007

Metástase


Sentimentos em estádio de latência ressurgem num corpo ileso, desumanizado pela carência de amor.
Coração neoplásico, disseminando metástases pela seiva que me alimenta, conduzido à mortificação do meu corpo.
Invadida por aparências superficiais onde predomina a ignorância de um sorriso sincero.
Fragmentação de actos compulsivamente físicos, chocando numa matéria platónica.
Ser solitário, imune aos rancores que percorrem de forma latejante em consciências virtuais.
Irradiada pela tua luz, aguardando pela cura da minha individualidade.

Sexta-feira, Março 02, 2007

Simplicidade


No silêncio do teu aconchego, surge-me o sentimento que me apraz o coração, o desejar do toque do teu corpo no meu.
Adormecer sob o embalo das tuas palavras inaudíveis.
Acordar, olhar no teu rosto, retendo a expressão que me acompanha quando permaneces ausente.
Gostava que me fizesses feliz.



Terça-feira, Fevereiro 27, 2007

Adormecida


Adormecida na esfera da escuridão, percorro sobre caminhos fumegantes, levitando em redor da sua transparência, ao encontro da minha musa noctívaga.
Exalando pela sua inocência feminina, recuo perante a sua beleza angelical.
Fria e distante, ali se entrega ao prazer de uma adoração carnal.
Produzindo mucos lascivos a visão de um corpo dançante.
A sua volta, figuras estranhas assemelham-se a sua imagem.
Avançando para ela, olhou-me com desprezo, e suspirou seu bafo de fel, afastando a sua pose de mulher diabo.
Num toque fugitivo sobre o meu dorso, apertando seus lábios, emerge-lhe uma vontade de saciar-se desta carne aveludada que ladeia a minha boca...
Entregando-se aos desejos íntimos da sua carne.



Terça-feira, Fevereiro 20, 2007

Carnaval Bacanal


Bocas entreabertas, escorrendo o suco da libido, órgãos palpitantes, mãos desejosas que percorrem os corpos suados que deslizam entre as peles mais húmidas e veludas.
Os sorrisos que encarnam o manifesto de sentir o prazer de forma mais volúvel, intensamente, no meio das luzes que disparam sobre as sombras quentes.
A gata negra rosnou, a sua dança inicia-se, deu-se o início da orgia, tanta fome de sexo, olhares a busca de outros, a aguardar algo que os consuma.
A música que acompanhava o resvalo intenso, a cada suspiro, um apego mais forte, o agarro sobre as carnes vestidas, carecidas de pudor.
As máscaras, não escondiam o desejo da entrega a corpos desconhecidos, a necessidade de sentir o quente prevalecia...
O disparar d prazer...

Quarta-feira, Fevereiro 14, 2007

Tu


Um beijo roubado que suspirava pelo toque dos teus lábios nos meus, o deleite da tua existência amenizou este olhar que em noites solitárias se perdia no vago de meras ilusões, que na tua presença tomou o meu espaço no teu.
Tenho o teu cheiro a cada abandono teu, deixas-me adormecida sobe o teu reconforto, e sinto-me só quando me deixas.
As utopias de sentimentos que me envolvem, os ciúmes que se revelam quando figuras femininas inoportunamente fragilizam o teu mundo.
Querem amordaçar-te nas suas vidas medíocres, plagiando sentimentos que não lhes pertencem.
Tenho problemas de expressão, porque não digo o que sinto, e quando o digo, para ti é uma quimera.
Sinto que simplesmente gosto de ti!





"O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente. " Fernando Pessoa



Autor da Imagem: Graça Loureiro, em Olhares.com

Terça-feira, Fevereiro 06, 2007

Perdida


Perdida nas carnes sobrepostas, sem o fluido que as agregue em corpúsculos que toma o meu corpo.
Derramando o suor frio provocado pela ausência de ardor que insensibiliza este pedaço de matéria inanimada.
Gemidos contidos, abafados pelo ranger de uma actividade promíscua.
Constituindo acções que consolidam num acto que desperta sentidos imaturos.

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Sentir, calor, paixão, amor...que belas palavras, mas que não me trazem consolo, não sei o que elas representam em alma, a sua simbologia determina sentimentos ousados que não se hospedam neste espaço por alugar.
Lágrimas que escorrem desesperadas, porque não encontram o leito onde possam desaguarem.
Vazio, é o que me define, o sorriso roubado, a escrita que permanece obscura, o grito que se quer soltar.
Quero viver, sair desta agonia, não quero ouvir, falar, quero rir de novo, ser eu, ser quem conheces, o dito sorriso que contagia, liberta-me, deixa-me ser eu....
Preciso de dançar, beber o suco que me alucina, sentir o que não senti.


Love can be like bondage, seduce me once again




Terça-feira, Janeiro 30, 2007

Cortejo


Caras, que se moldam, vulgarizam-se perante adornos que enfeitam o seu aspecto medíocre.
Passeiam com os seus rostos, com o atrelado que os une a semelhança da mesma espécie.
Desfilam com o seu ar empertigado, buscando os olhares cegos que valorizem a sua imagem.
Marcham em sentido único, ultrapassando as proibições, soltando-se no tráfego sujo.
Desencontro-me desta caminhada, e deambulo até a ti, tu que me tornas frágil, desprotegida, sem a minha frieza guardiã.
Trilho sem rumo...

Terça-feira, Janeiro 09, 2007

Lady Ice

Congela-me como se fosse uma peça envolvida pela técnica de criotomia.
Não me reanimes, o suco de nitrogénio esfriou aquele reles órgão que nos dá o viver, mas não o sentir.
O formol que inactiva a malignidade das minhas vísceras tornando-as límpidas, inerte ao teu toque.
Fragmentos parafinados de tal dureza quando se resiste as malícias daqueles que provocam a laceração de sentimentos ímpios.

Segunda-feira, Janeiro 08, 2007

Putas



Putas desvairadas que percorrem na noite cega a procura de quem as alimente.
Seus leitos imundos, ocultando vidas lacrimosas, apelando que as sustentem.
Seus corpos sorriem, suas presas babam-se naquele meio onde o negrume padece.
Palpitam os sexos, o rejubilar de uma nova sentença, o ditar de uma noite cálida.
No auge, solta-se aquele bafo pasmaceado de mais um momento inglório.



Autor da Imagem: Graça Loureiro, em Olhares.com

Amelie


Como um dinamismo orgânico que ferve, sentindo a ausência de uma presença que sucumbe a cada instante...
Ruídos, sons mudos que me atordoam, o que é feito de mim?
Perdida em falsos sorrisos, monólogos que visam a decadência de um ser inaudito...
Quero despertar, libertar-me do imundo da lascívia, sou quem não sou, sou quem quer ver, não me procurem, porque já desvaneci.
Tenho-te no meu aconchego, sentes o meu cheiro, refugia-te em mim ser frágil, não percebes o que sinto?
Solta-te, vive o que é teu, o meu mundo, sou eu, o egocentrismo que me ofusca!


Petit Amelie...c' est moi que reste ici...

Terça-feira, Dezembro 19, 2006

Olhei para ti


A beleza que se distinguiu naquele meio, o sorriso que cativou, o corpo que dançou com o meu, o olhar que se perdeu no teu, não sabes de quem falo, és a harmonia que se tranfigura na forma feminina...

Breathe


Um apego mundano sem distinção, olhar sóbrio que recai num corpo lesado em estado de erupção.
Os gemidos surdos que repousam numa manta álgida, e nela se soltam, provocando lamúrias de alucinação.
Os espasmos oscilam em ápices de alienação, que surgem do íntimo de um ser por desbravar, com ânsia de saciar algo que ainda não o consumiu.
Bocas enlaçadas desfragmentam-se no ondular de seivas de espuma amarga.
No término do momento em que o inconsciente desperta, vislumbra-se a meiguice de uma expressão que se mantêm na fragilidade desta existência.

Terça-feira, Dezembro 12, 2006

Deambulando



Sob o teu olhar comprometido
num estender de mãos dançantes,
encontro a envolvencia musical
que vibra no vácuo,
coabitando num universo paralelo
à imagem de um momento efémero.

Vês a musica a entranhar-se
sob movimentos frenéticos do corpo,
olhar lascivo que aclama o frenesim
do cintilar de cada corda,
a batida que ecoa na alma,
a voz que emerge do vazio.

É a tua voz que se transforma em melodia afagando a tempestade num raiar de emoções.

Numa sinfonia esfuziante
componho a pauta da vida
consumindo cada elemento existente em ti.
De forma desajustada percorro a tua seiva
e nela permaneço estado ébrio de luz.

Terça-feira, Dezembro 05, 2006

Opressão





Cansada, de ouvir vozes oprimidas, rostos sem afecto, sem impressão, são como doença sem diagnóstico.
Descurados se encontram, tentam iludir ideais que as suas próprias mentes antagonizam.
Imagens secas sem percepção, analisadas macroscopicamente, coradas por um reles banho de devassidão.
Olhares fixos perante uma menina que contesta o aclamar do seu ser.
Deixem-me viver, senão me querem amar, continuarei refugiada na minha realidade onírica.



Segunda-feira, Dezembro 04, 2006

Even after all




Momentos que são recriados em imagens, palpitam naquele anoitecer, em que as águas mortas assistiram ao despertar de sentimentos que se encontravam em cativeiro.
Sentados num semicírculo onde se iniciou a intriga, aguardo pelo seu desfecho.
Um sorriso que brotou em mim, o teu que insiste no meu pensamento, aquela lua encoberta que teimava em não percorrer a direcção do meu olhar.
Fez-se a noite, e nela se adivinhava que tudo iria desmoronar, e assim se realizou…
Uma tarde em que o lago acompanhou os meus sonhos, o circulo quebrou-se.

Mais um adeus….

O meu sorriso será sempre belo!





Segunda-feira, Novembro 20, 2006

Ilusão



Surges no meu sonho, nele está a ilusão de um dia voltar a encontrar-te.
Tentei fazer a apoptose do teu ser no meu pensamento, mas teu sorriso ainda permanece de forma constante em mim.
As cartas ditam o nosso desfecho, sinto-me esquartejada em ínfimas partes que se perdem num fundo transparente.
Tentam dissecar o cerne do meu ser,com falsas identidades,com palavras que desaguam num leito ressequido.
A necrose dos sentimentos desfaz-se, liquidificando-se em partículas odorantes daquele teu cheiro impregnado em mim.
A desvanecer de ti....

Domingo, Novembro 12, 2006

Indiferença


Que indiferença perante a vida activa pela a qual nos regemos.

Sob a luz obscurecida, plantam-se delgadas passadas que foram arrastadas pelo cheiro mundano onde breves suspiros tentam suster o límpido carmim.

Vorazes são as gargalhadas, ficando impunes os olhares desatentos, despreocupados com o meio que vulgariza a podridão do nosso lar.

O ciúme espreita por entre a calha, tendo efeito mordaz naquele em que no seu estado imperioso atravessa tempestades.

Somos fotografias do esteriótipo banal que incendeia fragas adormecidas.

Relembrar e esquecer, é um furto do nosso próprio pensamento.



Sexta-feira, Novembro 10, 2006

A insustentável leveza


A insustentável leveza do ser, que percorre os poros levianos do corpo.
Mentes fadadas com a perdição, mãos que não sentem o jasmim da pele, vislumbrando-se perante o desejo adoçicado, que se personifica na ilusao de um sentido.
A matéria não se une, o sentimento que deixa um rasto vago inerte a paixao.
A atmosfera que ladeia as almas transtornadas, cintila austeramente pela unidade de uma só melodia que apazigue os gritos desamparados.

Semblante







Na penumbra da escuridão encontra-se a luz que desenha a imagem de um rosto transfigurado no surrealismo da loucura! O semblante que se afoga no escuro, o olhar que remete no infinito, que se encontra perdido entre o vago, e o inerte, a mulher que ali emurcheceu, e permaneceu no cristalino olhar.

Quinta-feira, Novembro 09, 2006

Entorpecida


Entorpecidas linhas que prefazem o meu destino! Pela cidade boémia praguejo os meus andarilhos de fêmea palpitante! Meu corpo translúcido afoga-se no suor árido que provoca a devastidão! Danças obscenas procuram o vazio, onde se possam alojar e soltar a devassidade existente em mim! Olhares empobrecidos de falsa tentação que invadem meu espaço, que tormentam as minhas carnes vulneráveis ao prazer! Desprotegida, encontro-me desfigurada na minha carcassa por frágeis freios que me sustentam!
Quem me abraça e cuida de mim?



Toque



O toque que se funde num corpo rígido, não teme o calor dissipado por este.
Esfumaçando pela brisa pesada e ténue formando gotículas de gelo,
repousa na pele embriagada do nada.
A mão que derrete o cavernículo,
onde se encontra o coração palpitante desejoso de trespassar aquele que o tenta possuir.
Tão fria, ali se encontra a musa do mal,
detentora dos amores perdidos.
O silêncio que me consome,
O afecto que não foi sentido,
Os olhares que se repudiaram,
as imagens que se transfiguraram, O cheiro que se mantêm,
O mau presságio que se realizou,
O choro que sufocou,
O beijo que não se deu,
O número que assinalou o final da linha.
A presença que falhou numa noite tépida,
esvoaçou sobre as águas luminosas que tanto querias contemplar.
O escuro padeceu em mim,
O teu semblante emurcheceu o cristalino olhar daqueles que sentiram os arrepios quentes da paixão.
No cais onde as vidas partem e regressam, tu partiste,mas voltarás de novo á minha linha.