domingo, setembro 06, 2009

Vício



Por rodopios, luzes ofuscas, sorrisos alterados e pernas balanceadas, percorro a noite crua.
O agir fica disperso e o terno avessado.
Falo para mim mesma, já não sinto, nem faço sentir.
O hábito da carne nua sem prazer.
As vezes tenho medo de mim mesma.
Que vício!

Em vão!

domingo, agosto 09, 2009

Fuck Myself



Quando se sente alheio ao prazer exteriorizado por outrem, os dedos vagueiam em prol da mente que se liberta em espasmos.

Diverte-me os pensamentos levianos, algo visual, uma matéria amórfica que me toca.

Os encontros fugazes, despidos de ardor e sentimento,

roçando sobre os corpos deslavados, impugnados por nada sentirem.

Sacia-me serenamente meu estado ímpio.

Sou-me tão escassa como uma prímula

Sim, por vezes, é preferível foder-me a mim mesma.

sábado, julho 11, 2009

Alive or not Alive



Fui de encontro a ti propositadamente,

fiz de conta que tropecei, o destino, esse malfeitor,

testou o sentimento que outrora sentira.

Estavas baixado, talvez à procura de algo,

ou simplesmente o delírio de álcool, ou fumos inalados se tivessem apoderado de ti.

O encontro foi imediato,

ergueste, e vens de encontro ao meu olhar.

Senti ternura nos teus olhos,

a música que se fazia ouvir intensamente, estagnou,

o momento fez-se vagarosamente,

o toque de conforto nos nossos braços fez-se simultaneamente.

Desde aquele momento, soube que seria a última vez que iria avistar-te,

permanece a magia que há muito fora despertada,

há coisas que nem o tempo apaga.

Os impulsos sentem-se no mesmo local onde 'tudo' começou.

Se a imagem reflecte o sentimento, a nossa reflectiu por breves instantes o que se sentiu.

sábado, março 07, 2009

Libertina




Despiu-se na minha boca,

Friccionou o seu corpo contra ao meu,

Apanhando-me desprevenida,

Numa noite já perdida entre luzes, seivas alcoólicas, delírios, senti a sua pele segredando na minha,

O toque dos seus lábios,

O nosso fervor encontrava-se no auge.

No clímax do momento, entrego-me a ela.

Os olhares lascivos, entretidos no nosso prazer curioso, algures recalcado.

Fugaz, libertou-se de mim, ficando a desejar o fulgor que me provocou.

Break the Silence


Rogai sob essas mentes deslavadas. O meu afecto será inútil.

Murmuro sobre o Tejo, sobre as águas escarradas pelo povo libertino.

Não há fado que contemple o suor, a vinha, o aroma derramado pelo Douro.

Multiplicidade de vozes que praguejam numa cantada fervorosa.

O podre que escorre pelas ruas.

As multidões silenciosas e apressadas convergem e divergem pela sua diferença.

Desalojados de mente, convertem-se à fome urbana.

Suas bocas suturadas calam-se perante as vozes sociais que se rompem do pensamento à palavra.

A voz é fétida, calem-se os ouvidos!

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

Like a bitch


Soberbos de sentimento, fartos de foder, de promiscuidade, de dar o seu corpo em vão.

O feder do sexo embrenhado na sua pele, o olhar que se resguarda na noite sedenta.

Seus corpos contraem involuntariamente perante a pseudo sensação de prazer que percorre os meandros da sua carne insípida.

Esporram-se os desejos.

Venham-se suas putas, lacrimejem sob o vosso pudor.

Em convalescença.




domingo, dezembro 07, 2008

Naked




Apetece-lhe copular,

as suas entranhas suspiram pela rigidez de um corpo estranho a embrenhar-se pelas suas carnes leitosas e macias,

a volúpia do toque dos seus dedos não a sacia.

Os seus lábios desenham o prazer sobre a pele,

mordisca suavemente pelo pescoço,

as mãos deslizam sobre ela, supremida contra um corpo, sentiu-o duro.

Os corpos roçam, procuram o limiar do êxtase dos seus fulgores.

Embebedo-me em mim.






domingo, novembro 23, 2008

Nude




Sucumbi-me no tempo, o meu corpo estagnou,

a mente que dispara sobre o mal que se embebeda no surto da loucura.

Ligações desviadas, transições mal interpretadas, o riso gélido e sulfuroso.

Caio na mágoa do esquecimento,

sinto-me a discernir sobre o que é, e o que não é.

Estou a pregar fora do meu tempo.

Movimentos que me impulsionam ao auge da demência,

o frenesim do meu ser, a sombra que se desenha no escuro,

a fumaça ténue que se desvanece em mim.

O desejo, o desejo, o desejo, ai, é tão bom sentir o desejo,

que percorre nas nossas mentes tão medíocres, e desprovidas do não sentir.

Inviolável é o meu desejo.



terça-feira, setembro 30, 2008

Desnudos


Corpos desnudos, desmistificando as suas essências a cada toque, desflorando os seus sentimentos idílicos.
A anarquia biológica rege-se, espasmos avultam-se num ritmo crescente, os gemidos que se afagam, a entrega coincidente.
As línguas que se desenrolam nos corpos adjacentes, a minha que desperta o fulgor do âmago do prazer.
Envolvidos num só, os cheiros infiltram-se, as salivas diluem-se, acto que se transforma em sentidos.
Arrepio das carnes, os seios que se exaltam perante o beijo adocicado.
Degusto a tua manifestação provocada pela fricção dos meus lábios, descortinando-se em mim o teu vigor.
Tecendo-me em pleonasmos, em que o sentir meramente se coaduna à transversalidade do profano.







quinta-feira, setembro 11, 2008

She's lost control


Na sua essência desvairada, percorrida pela inocência, ofuscando o que não se quer ver.

A mulher e o hábito, desprendesse do seu corpo inerte, sem refúgio, aloja-se em si mesma.

Impávida, crua, em estado nulo, não se serve das suas breves vontades.

Em apoptose cerebral, rasga-se, consome-se, toma-se o puro pelo devasso.

Ela encontra-se no seu apogeu.