Por rodopios, luzes ofuscas, sorrisos alterados e pernas balanceadas, percorro a noite crua. O agir fica disperso e o terno avessado. Falo para mim mesma, já não sinto, nem faço sentir. O hábito da carne nua sem prazer.As vezes tenho medo de mim mesma. Que vício! Em vão!
Corpos desnudos, desmistificando as suas essências a cada toque, desflorando os seus sentimentos idílicos. A anarquia biológica rege-se, espasmos avultam-se num ritmo crescente, os gemidos que se afagam, a entrega coincidente. As línguas que se desenrolam nos corpos adjacentes, a minha que desperta o fulgor do âmago do prazer. Envolvidos num só, os cheiros infiltram-se, as salivas diluem-se, acto que se transforma em sentidos. Arrepio das carnes, os seios que se exaltam perante o beijo adocicado. Degusto a tua manifestação provocada pela fricção dos meus lábios, descortinando-se em mim o teu vigor. Tecendo-me em pleonasmos, em que o sentir meramente se coaduna à transversalidade do profano.