segunda-feira, dezembro 17, 2007

Em tua memória


Da terra brotaste, a força telúrica herdaste.

Das tuas mãos se ergueram as vinhas, o pão que amassaste, o vinho que adocicaste, e os frutos da terra acariciaste.

Entre o vale as tuas raízes criaste, nele teus cânticos se ecoaram, até ao último fôlego que suspiraste. E à terra voltaste.

Até sempre.

2007/XII/15

segunda-feira, novembro 12, 2007

Desassossego


O desassossego, lágrimas que o definem, jorram fluentemente, descaindo num rosto desprotegido pela vida leviana que o tomou.

Prazeres promíscuos cultivados numa beleza desconcertante, destino que se prolonga numa existência infundada em volta do seu escárnio.

Sorrisos inocentes que se revelam, brotando em toques mordazes, despertando a vontade de sentir o que ainda não se sentiu.

Fragmentos de vida que se retratam em marés negras flutuam sem rumo.

Pensamentos incultos, numa vida mal fadada.

O pressentimento, o olhar que penetra e dilacera o sentimento mais fraco.

O amor, um desassossego.



segunda-feira, julho 02, 2007

Vénus



Sentimentos promíscuos afloram a cada instante.
Vénus, deusa imaculada do prazer, em seu estado imperial de podridão sacia-se dos corpos inocentes corrompidos pela vontade de provar carne madura.
Volúpia, a entrega, o desonrar de sentimentos alheios.
O compromisso quebrado.
A união do fruto carnal.
O desejo intermitente lateja momentaneamente, o apego do corpo, o sentir profundamente, o agarrar, o querer fundir, linhas que se curvam perante o prazer, doces servos a ela se entregam, famintos, por uma doce gota que alimente o seu ego.
A bonança sexual reina misericordiosamente. O rejubilar dos sexos, prazeres entre carnes homogéneas traduz o fim da sensualidade.
Quebra-se o instinto, rompem-se barreiras a procura de novos prazeres mundanos, em teu olhar, escondem-se míseras afectividades perante aquilo que te adorna.
Descartando os teus servos como se fossem meros requintes de uso banal.

terça-feira, maio 01, 2007

Líbido




O cheiro do teu corpo que se mistura no meu, o arranhar da tua barba no meu rosto, querer cravar os meus dedos nas tuas costas, deslizar as minhas mãos sobre a tua pele suada, apertar-te contra os meus seios, o consumar de um acto libidinoso.
Movimentos mecânicos, o ondular ritmado provocando oscilações no meu suspiro ofegante.
O fundir dos corpos, sugar os teus lábios, aninhar-me em ti.
A mistura entre um paralelo que é o real, e o apenas, querer sentir o prazer, uma presença inconstante que vagueia ao encontro do toque inerte.



terça-feira, abril 17, 2007

Desamor



Não quero acordar,
Adiar o meu despertar por mais um dia, talvez amanhã, dias seguintes, por um tempo indefinido até me esquecer de ti.
Não quero acordar para mais um dia como ouvinte de lamúrias, de mentes debochadas
que poluem o meu mundo.
Apetecia-me gritar desalmadamente, um Ai que outrora fora de prazer, agora manifestando-se como dor.
A ausência da tua presença.
Não quero acordar para não sentir o afecto, o amor que se incutiu em mim, a vida é madrasta, fagocitou a tua paixão de mim.
Não quero acordar, activar o pensamento constante que me lembra de ti, os momentos vividos, toda a cidade que se percorreu, que me recorda tanto de ti.
Imagens bucólicas, olhares de censura que me despertam deste sono profundo.
Em estado amnésico, ou anestesia mental, era assim que me queria sentir, prender a minha cabeça ao mundo do sonho, mantê-la refém ao passado vivido.
Editar o meu sentimento.
O amor é uma patologia sem diagnóstico de cura.
Tive que acordar, e repetir mais um dia.



segunda-feira, abril 16, 2007

Rosa Negra


Rosa negra caramelizada, pálida sem afecto, o teu odor nauseabundo impregnado em cada pétala emurchecida.
És rosa pagã, espetando no coração fiel de quem te ama.
A tua rosa murchou, a água que embebia o teu corpo envenenou-te.
De ti escorrem gotas amargas, contaminas a cada desabrochar de um rebento teu, a tua flacidez ambulante misturada nas partículas levianas que repousam sobre os teus espinhos.
Espinho que craveja na carne fraca, ele aguarda por um suspiro teu, do teu bafo impuro, que já fora cheirado por uma reles inspiração.


Do you like that bitch?



quarta-feira, abril 04, 2007

Brain Masturbation


A afasia de uma masturbação cerebral, rasga-me como se fosse um trapo, um corpo a servir as tuas breves vontades.
O trilho da inocência perdida, só me resta o confessar os meus pecados, beijar o bem, e rezar por aqueles que se encontram perdidos.
A minha penitência é não te ter. Pedir o teu colo, o teu resguardo, são oferendas que não mereço.
Queria ser como uma bailarina do Crazy Horse, enfeitiçar-te com a minha dança sensual, fazer da tua masturbação, um acto real.
A pornografia literária consome-me, sinto um espasmo a cada palavra que envolve as entranhas da chama quente, a repulsa de quem não sente.

segunda-feira, abril 02, 2007

Summer Paris



A menina que se transforma num olhar
Sou eu, apresento-me a todos =)

Autor da Imagem: Summer Paris
Edição: Summer Paris

segunda-feira, março 26, 2007

Divagando


Olhando para a minha triste poesia, esboço um enternecido sorriso, por todas as mágoas vividas, com certeza que serão palavras repetidas, pois a vida é feita desta inconstância de sentimentos, ora alegres, ora tristes, onde permanece o sorriso e a mágoa.
Por vezes encontro-me perdida no meu próprio pensamento, numa realidade em que o sentir se sobrepõe a acção mecânica do agir.
Sentindo dicotomias adversas no espaço mental, que habita num universo emergente havendo necessidade de explorar uma nova direcção viável ao conhecimento.
Termos descomplexados surgem em cada linha desta criação um pouco vaga, talvez inconsciente, são palavras sem expressão.
O vício de ter alguém que nos acompanhe neste fado solitário, somos um ser uno, termos quem nos acompanhe, no entanto, culminam vozes interiores que se propagam em nós mesmos.
Ter um desejo desconhecido, remanescente à minha própria identidade.
Esperando por ti…


segunda-feira, março 19, 2007

Sozinha


A cada instante em que o sol mergulhava naquelas águas gélidas, o meu sorriso emurchecia, enquanto aguardava por uma imagem ausente.
O rubor provocado pela queimadura que me implantaste no lado mais frágil da minha existência, resfriando o calor que outrora me fizeras sentir.
O declínio das palavras que empregaste em mim, não se moldam mais, corromperam-se, tal como as tuas falsas vindas até mim.
Digitalizar o caos mental, que se propicia a cada palavra, sem fervor, inerte, sopro escasso, submersa em memórias que me transportam ao desvigoro da fantasia.
Antevisão de acontecimentos que não se recriam, abafam-se num breve devaneio.