sábado, agosto 23, 2008

Devaneio



Breves devaneios que por mim se escondem,

pairando a imagem que não reflecte a essência que se pronuncia em mim.

Rostos desconhecidos enlaçam-se,

desprende-se a beleza sobre eles,

a indiferença perante o visível e o apetecível.

Suspiro, o meu sentimento em estado de latência ressurge no teu toque despido.

O olhar que deturpa o ser estampado em mim.

Ser o que se vê.

Alguém está a espreita…






terça-feira, julho 15, 2008

Brotar



Devassa, ali se encontra, a espera que a saciem, com a sua dança sensual, seduzindo o seu próprio desejo animal.

Sob o ritmo enlaçado da sua presa, esta consome o seu veneno entregando-se a luxúria de um momento que a apraz instantaneamente.

Desabrochando as suas vestes, os movimentos interruptos abandonam o seu corpo, antevendo os seus actos promíscuos que outrora a possuíam, o seu corpo reveste-se na graça do amor.

Define-se o que não se sente.






quinta-feira, junho 19, 2008

Despido



Tenho sede, sedento de ti, sede do que não tenho.

Teu ar de libertina desperta-me, ser que se refugia na clausura do nada sentir.

Sinto as blasfémias que disparas da tua boca, esses lábios tão delineados, e deliciosamente carnais, sempre que me pedes para te possuir, desejo não te dar esse prazer.

Estendida no teu doce leito, acariciando tua pele acetinada, evocas-me com o teu olhar.

Esta noite segue-se em vão, as palavras repetem-se, os desejos acomodam-se, o acto não se consome, e deixas-me despido, um mero
regozijo ao teu dispor.






sexta-feira, janeiro 18, 2008

Entrega


Ela deitou-se sob o meu dorso, carinhosamente, passei a minha mão sobre os seus seios, sentia a sua pele a vibrar, os seus mamilos a ficarem firmes somente com um simples toque, a sua face começou a ficar rosada, um pequeno arfar surge, e todo o seu semblante transparece satisfação, só me ocorre o desejo de a possuir, ter o seu sexo a roçar no meu, toco na sua intimidade húmida, soltando um suspiro mais caloroso, sinto nela a vontade de me ter.
Sentindo as suas pernas trémulas, o suco escorrendo pelas suas entranhas, sentir o seu odor na ponta dos meus dedos, consumindo a sua essência, o seu olhar pagã, os lábios que se entregam no ardor do meu sexo, a língua que escorre o leito da minha erupção.
O seu olhar afogueado que ainda sente a chama quente, o querer possuir um ínfimo do corpo que não acompanha o prazer mental.






terça-feira, janeiro 15, 2008

Desire



Na noite cálida, o resvalar dos olhares perante a indiferença dos sentimentos alheios, a dualidadade que se reflecte no olhar empobrecido de falsa tentação.

Os corpos revitalizados pelo suco vertiginoso que se eleva no acto libidinoso.

O exsudado que percorre entre o seio da voluptuosidade consumando o acto da contiguidade.

Os aromas que se misturam, brotam na sua decadência mortal.

O âmago que se desprende do hábito imoral, e as vestes que se exalam perante o toque libertino.

No romper do crepúsculo os corpos amanhecem, figurando a apetecível consolação.

segunda-feira, dezembro 17, 2007

Em tua memória


Da terra brotaste, a força telúrica herdaste.

Das tuas mãos se ergueram as vinhas, o pão que amassaste, o vinho que adocicaste, e os frutos da terra acariciaste.

Entre o vale as tuas raízes criaste, nele teus cânticos se ecoaram, até ao último fôlego que suspiraste. E à terra voltaste.

Até sempre.

2007/XII/15

segunda-feira, novembro 12, 2007

Desassossego


O desassossego, lágrimas que o definem, jorram fluentemente, descaindo num rosto desprotegido pela vida leviana que o tomou.

Prazeres promíscuos cultivados numa beleza desconcertante, destino que se prolonga numa existência infundada em volta do seu escárnio.

Sorrisos inocentes que se revelam, brotando em toques mordazes, despertando a vontade de sentir o que ainda não se sentiu.

Fragmentos de vida que se retratam em marés negras flutuam sem rumo.

Pensamentos incultos, numa vida mal fadada.

O pressentimento, o olhar que penetra e dilacera o sentimento mais fraco.

O amor, um desassossego.



segunda-feira, julho 02, 2007

Vénus



Sentimentos promíscuos afloram a cada instante.
Vénus, deusa imaculada do prazer, em seu estado imperial de podridão sacia-se dos corpos inocentes corrompidos pela vontade de provar carne madura.
Volúpia, a entrega, o desonrar de sentimentos alheios.
O compromisso quebrado.
A união do fruto carnal.
O desejo intermitente lateja momentaneamente, o apego do corpo, o sentir profundamente, o agarrar, o querer fundir, linhas que se curvam perante o prazer, doces servos a ela se entregam, famintos, por uma doce gota que alimente o seu ego.
A bonança sexual reina misericordiosamente. O rejubilar dos sexos, prazeres entre carnes homogéneas traduz o fim da sensualidade.
Quebra-se o instinto, rompem-se barreiras a procura de novos prazeres mundanos, em teu olhar, escondem-se míseras afectividades perante aquilo que te adorna.
Descartando os teus servos como se fossem meros requintes de uso banal.

terça-feira, maio 01, 2007

Líbido




O cheiro do teu corpo que se mistura no meu, o arranhar da tua barba no meu rosto, querer cravar os meus dedos nas tuas costas, deslizar as minhas mãos sobre a tua pele suada, apertar-te contra os meus seios, o consumar de um acto libidinoso.
Movimentos mecânicos, o ondular ritmado provocando oscilações no meu suspiro ofegante.
O fundir dos corpos, sugar os teus lábios, aninhar-me em ti.
A mistura entre um paralelo que é o real, e o apenas, querer sentir o prazer, uma presença inconstante que vagueia ao encontro do toque inerte.



terça-feira, abril 17, 2007

Desamor



Não quero acordar,
Adiar o meu despertar por mais um dia, talvez amanhã, dias seguintes, por um tempo indefinido até me esquecer de ti.
Não quero acordar para mais um dia como ouvinte de lamúrias, de mentes debochadas
que poluem o meu mundo.
Apetecia-me gritar desalmadamente, um Ai que outrora fora de prazer, agora manifestando-se como dor.
A ausência da tua presença.
Não quero acordar para não sentir o afecto, o amor que se incutiu em mim, a vida é madrasta, fagocitou a tua paixão de mim.
Não quero acordar, activar o pensamento constante que me lembra de ti, os momentos vividos, toda a cidade que se percorreu, que me recorda tanto de ti.
Imagens bucólicas, olhares de censura que me despertam deste sono profundo.
Em estado amnésico, ou anestesia mental, era assim que me queria sentir, prender a minha cabeça ao mundo do sonho, mantê-la refém ao passado vivido.
Editar o meu sentimento.
O amor é uma patologia sem diagnóstico de cura.
Tive que acordar, e repetir mais um dia.