terça-feira, setembro 30, 2008

Desnudos


Corpos desnudos, desmistificando as suas essências a cada toque, desflorando os seus sentimentos idílicos.
A anarquia biológica rege-se, espasmos avultam-se num ritmo crescente, os gemidos que se afagam, a entrega coincidente.
As línguas que se desenrolam nos corpos adjacentes, a minha que desperta o fulgor do âmago do prazer.
Envolvidos num só, os cheiros infiltram-se, as salivas diluem-se, acto que se transforma em sentidos.
Arrepio das carnes, os seios que se exaltam perante o beijo adocicado.
Degusto a tua manifestação provocada pela fricção dos meus lábios, descortinando-se em mim o teu vigor.
Tecendo-me em pleonasmos, em que o sentir meramente se coaduna à transversalidade do profano.







quinta-feira, setembro 11, 2008

She's lost control


Na sua essência desvairada, percorrida pela inocência, ofuscando o que não se quer ver.

A mulher e o hábito, desprendesse do seu corpo inerte, sem refúgio, aloja-se em si mesma.

Impávida, crua, em estado nulo, não se serve das suas breves vontades.

Em apoptose cerebral, rasga-se, consome-se, toma-se o puro pelo devasso.

Ela encontra-se no seu apogeu.





sábado, agosto 23, 2008

Devaneio



Breves devaneios que por mim se escondem,

pairando a imagem que não reflecte a essência que se pronuncia em mim.

Rostos desconhecidos enlaçam-se,

desprende-se a beleza sobre eles,

a indiferença perante o visível e o apetecível.

Suspiro, o meu sentimento em estado de latência ressurge no teu toque despido.

O olhar que deturpa o ser estampado em mim.

Ser o que se vê.

Alguém está a espreita…






terça-feira, julho 15, 2008

Brotar



Devassa, ali se encontra, a espera que a saciem, com a sua dança sensual, seduzindo o seu próprio desejo animal.

Sob o ritmo enlaçado da sua presa, esta consome o seu veneno entregando-se a luxúria de um momento que a apraz instantaneamente.

Desabrochando as suas vestes, os movimentos interruptos abandonam o seu corpo, antevendo os seus actos promíscuos que outrora a possuíam, o seu corpo reveste-se na graça do amor.

Define-se o que não se sente.






quinta-feira, junho 19, 2008

Despido



Tenho sede, sedento de ti, sede do que não tenho.

Teu ar de libertina desperta-me, ser que se refugia na clausura do nada sentir.

Sinto as blasfémias que disparas da tua boca, esses lábios tão delineados, e deliciosamente carnais, sempre que me pedes para te possuir, desejo não te dar esse prazer.

Estendida no teu doce leito, acariciando tua pele acetinada, evocas-me com o teu olhar.

Esta noite segue-se em vão, as palavras repetem-se, os desejos acomodam-se, o acto não se consome, e deixas-me despido, um mero
regozijo ao teu dispor.






sexta-feira, janeiro 18, 2008

Entrega


Ela deitou-se sob o meu dorso, carinhosamente, passei a minha mão sobre os seus seios, sentia a sua pele a vibrar, os seus mamilos a ficarem firmes somente com um simples toque, a sua face começou a ficar rosada, um pequeno arfar surge, e todo o seu semblante transparece satisfação, só me ocorre o desejo de a possuir, ter o seu sexo a roçar no meu, toco na sua intimidade húmida, soltando um suspiro mais caloroso, sinto nela a vontade de me ter.
Sentindo as suas pernas trémulas, o suco escorrendo pelas suas entranhas, sentir o seu odor na ponta dos meus dedos, consumindo a sua essência, o seu olhar pagã, os lábios que se entregam no ardor do meu sexo, a língua que escorre o leito da minha erupção.
O seu olhar afogueado que ainda sente a chama quente, o querer possuir um ínfimo do corpo que não acompanha o prazer mental.






terça-feira, janeiro 15, 2008

Desire



Na noite cálida, o resvalar dos olhares perante a indiferença dos sentimentos alheios, a dualidadade que se reflecte no olhar empobrecido de falsa tentação.

Os corpos revitalizados pelo suco vertiginoso que se eleva no acto libidinoso.

O exsudado que percorre entre o seio da voluptuosidade consumando o acto da contiguidade.

Os aromas que se misturam, brotam na sua decadência mortal.

O âmago que se desprende do hábito imoral, e as vestes que se exalam perante o toque libertino.

No romper do crepúsculo os corpos amanhecem, figurando a apetecível consolação.

segunda-feira, dezembro 17, 2007

Em tua memória


Da terra brotaste, a força telúrica herdaste.

Das tuas mãos se ergueram as vinhas, o pão que amassaste, o vinho que adocicaste, e os frutos da terra acariciaste.

Entre o vale as tuas raízes criaste, nele teus cânticos se ecoaram, até ao último fôlego que suspiraste. E à terra voltaste.

Até sempre.

2007/XII/15

segunda-feira, novembro 12, 2007

Desassossego


O desassossego, lágrimas que o definem, jorram fluentemente, descaindo num rosto desprotegido pela vida leviana que o tomou.

Prazeres promíscuos cultivados numa beleza desconcertante, destino que se prolonga numa existência infundada em volta do seu escárnio.

Sorrisos inocentes que se revelam, brotando em toques mordazes, despertando a vontade de sentir o que ainda não se sentiu.

Fragmentos de vida que se retratam em marés negras flutuam sem rumo.

Pensamentos incultos, numa vida mal fadada.

O pressentimento, o olhar que penetra e dilacera o sentimento mais fraco.

O amor, um desassossego.



segunda-feira, julho 02, 2007

Vénus



Sentimentos promíscuos afloram a cada instante.
Vénus, deusa imaculada do prazer, em seu estado imperial de podridão sacia-se dos corpos inocentes corrompidos pela vontade de provar carne madura.
Volúpia, a entrega, o desonrar de sentimentos alheios.
O compromisso quebrado.
A união do fruto carnal.
O desejo intermitente lateja momentaneamente, o apego do corpo, o sentir profundamente, o agarrar, o querer fundir, linhas que se curvam perante o prazer, doces servos a ela se entregam, famintos, por uma doce gota que alimente o seu ego.
A bonança sexual reina misericordiosamente. O rejubilar dos sexos, prazeres entre carnes homogéneas traduz o fim da sensualidade.
Quebra-se o instinto, rompem-se barreiras a procura de novos prazeres mundanos, em teu olhar, escondem-se míseras afectividades perante aquilo que te adorna.
Descartando os teus servos como se fossem meros requintes de uso banal.