terça-feira, abril 17, 2007

Desamor



Não quero acordar,
Adiar o meu despertar por mais um dia, talvez amanhã, dias seguintes, por um tempo indefinido até me esquecer de ti.
Não quero acordar para mais um dia como ouvinte de lamúrias, de mentes debochadas
que poluem o meu mundo.
Apetecia-me gritar desalmadamente, um Ai que outrora fora de prazer, agora manifestando-se como dor.
A ausência da tua presença.
Não quero acordar para não sentir o afecto, o amor que se incutiu em mim, a vida é madrasta, fagocitou a tua paixão de mim.
Não quero acordar, activar o pensamento constante que me lembra de ti, os momentos vividos, toda a cidade que se percorreu, que me recorda tanto de ti.
Imagens bucólicas, olhares de censura que me despertam deste sono profundo.
Em estado amnésico, ou anestesia mental, era assim que me queria sentir, prender a minha cabeça ao mundo do sonho, mantê-la refém ao passado vivido.
Editar o meu sentimento.
O amor é uma patologia sem diagnóstico de cura.
Tive que acordar, e repetir mais um dia.



segunda-feira, abril 16, 2007

Rosa Negra


Rosa negra caramelizada, pálida sem afecto, o teu odor nauseabundo impregnado em cada pétala emurchecida.
És rosa pagã, espetando no coração fiel de quem te ama.
A tua rosa murchou, a água que embebia o teu corpo envenenou-te.
De ti escorrem gotas amargas, contaminas a cada desabrochar de um rebento teu, a tua flacidez ambulante misturada nas partículas levianas que repousam sobre os teus espinhos.
Espinho que craveja na carne fraca, ele aguarda por um suspiro teu, do teu bafo impuro, que já fora cheirado por uma reles inspiração.


Do you like that bitch?



quarta-feira, abril 04, 2007

Brain Masturbation


A afasia de uma masturbação cerebral, rasga-me como se fosse um trapo, um corpo a servir as tuas breves vontades.
O trilho da inocência perdida, só me resta o confessar os meus pecados, beijar o bem, e rezar por aqueles que se encontram perdidos.
A minha penitência é não te ter. Pedir o teu colo, o teu resguardo, são oferendas que não mereço.
Queria ser como uma bailarina do Crazy Horse, enfeitiçar-te com a minha dança sensual, fazer da tua masturbação, um acto real.
A pornografia literária consome-me, sinto um espasmo a cada palavra que envolve as entranhas da chama quente, a repulsa de quem não sente.

segunda-feira, abril 02, 2007

Summer Paris



A menina que se transforma num olhar
Sou eu, apresento-me a todos =)

Autor da Imagem: Summer Paris
Edição: Summer Paris

segunda-feira, março 26, 2007

Divagando


Olhando para a minha triste poesia, esboço um enternecido sorriso, por todas as mágoas vividas, com certeza que serão palavras repetidas, pois a vida é feita desta inconstância de sentimentos, ora alegres, ora tristes, onde permanece o sorriso e a mágoa.
Por vezes encontro-me perdida no meu próprio pensamento, numa realidade em que o sentir se sobrepõe a acção mecânica do agir.
Sentindo dicotomias adversas no espaço mental, que habita num universo emergente havendo necessidade de explorar uma nova direcção viável ao conhecimento.
Termos descomplexados surgem em cada linha desta criação um pouco vaga, talvez inconsciente, são palavras sem expressão.
O vício de ter alguém que nos acompanhe neste fado solitário, somos um ser uno, termos quem nos acompanhe, no entanto, culminam vozes interiores que se propagam em nós mesmos.
Ter um desejo desconhecido, remanescente à minha própria identidade.
Esperando por ti…


segunda-feira, março 19, 2007

Sozinha


A cada instante em que o sol mergulhava naquelas águas gélidas, o meu sorriso emurchecia, enquanto aguardava por uma imagem ausente.
O rubor provocado pela queimadura que me implantaste no lado mais frágil da minha existência, resfriando o calor que outrora me fizeras sentir.
O declínio das palavras que empregaste em mim, não se moldam mais, corromperam-se, tal como as tuas falsas vindas até mim.
Digitalizar o caos mental, que se propicia a cada palavra, sem fervor, inerte, sopro escasso, submersa em memórias que me transportam ao desvigoro da fantasia.
Antevisão de acontecimentos que não se recriam, abafam-se num breve devaneio.





quinta-feira, março 15, 2007

MAYDAY



Em ruptura de vida, de pensamento, um pedido de socorro, o próprio que se afoga no que não constrói.
O sentir que não se conjuga à sua imagem, o deambular entre rostos conhecidos, e não conhecer ninguém.
O riso esforçado, as palavras de alegria que atenuam a dor que sente, daquilo que não sente.

A mediocridade daqueles que aguardam por um esforço em vão, o semblante mesquinho, prepotente, que surge na fraqueza do seu meio.
Ter um momento fugaz, a procura de um consolo que não reside naquele que queremos que nos console.
Gostar da ignorância dos sentimentos.

A carência, e a solidão que jaz em cada partícula do meu refugio, torna-me vulnerável, escasseando a vontade de buscar-te.
Cansada de esperar por ti…



quarta-feira, março 07, 2007

Metástase


Sentimentos em estádio de latência ressurgem num corpo ileso, desumanizado pela carência de amor.
Coração neoplásico, disseminando metástases pela seiva que me alimenta, conduzido à mortificação do meu corpo.
Invadida por aparências superficiais onde predomina a ignorância de um sorriso sincero.
Fragmentação de actos compulsivamente físicos, chocando numa matéria platónica.
Ser solitário, imune aos rancores que percorrem de forma latejante em consciências virtuais.
Irradiada pela tua luz, aguardando pela cura da minha individualidade.

sexta-feira, março 02, 2007

Simplicidade


No silêncio do teu aconchego, surge-me o sentimento que me apraz o coração, o desejar do toque do teu corpo no meu.
Adormecer sob o embalo das tuas palavras inaudíveis.
Acordar, olhar no teu rosto, retendo a expressão que me acompanha quando permaneces ausente.
Gostava que me fizesses feliz.



terça-feira, fevereiro 27, 2007

Adormecida


Adormecida na esfera da escuridão, percorro sobre caminhos fumegantes, levitando em redor da sua transparência, ao encontro da minha musa noctívaga.
Exalando pela sua inocência feminina, recuo perante a sua beleza angelical.
Fria e distante, ali se entrega ao prazer de uma adoração carnal.
Produzindo mucos lascivos a visão de um corpo dançante.
A sua volta, figuras estranhas assemelham-se a sua imagem.
Avançando para ela, olhou-me com desprezo, e suspirou seu bafo de fel, afastando a sua pose de mulher diabo.
Num toque fugitivo sobre o meu dorso, apertando seus lábios, emerge-lhe uma vontade de saciar-se desta carne aveludada que ladeia a minha boca...
Entregando-se aos desejos íntimos da sua carne.