terça-feira, dezembro 19, 2006

Olhei para ti


A beleza que se distinguiu naquele meio, o sorriso que cativou, o corpo que dançou com o meu, o olhar que se perdeu no teu, não sabes de quem falo, és a harmonia que se tranfigura na forma feminina...

Breathe


Um apego mundano sem distinção, olhar sóbrio que recai num corpo lesado em estado de erupção.
Os gemidos surdos que repousam numa manta álgida, e nela se soltam, provocando lamúrias de alucinação.
Os espasmos oscilam em ápices de alienação, que surgem do íntimo de um ser por desbravar, com ânsia de saciar algo que ainda não o consumiu.
Bocas enlaçadas desfragmentam-se no ondular de seivas de espuma amarga.
No término do momento em que o inconsciente desperta, vislumbra-se a meiguice de uma expressão que se mantêm na fragilidade desta existência.

terça-feira, dezembro 12, 2006

Deambulando



Sob o teu olhar comprometido
num estender de mãos dançantes,
encontro a envolvencia musical
que vibra no vácuo,
coabitando num universo paralelo
à imagem de um momento efémero.

Vês a musica a entranhar-se
sob movimentos frenéticos do corpo,
olhar lascivo que aclama o frenesim
do cintilar de cada corda,
a batida que ecoa na alma,
a voz que emerge do vazio.

É a tua voz que se transforma em melodia afagando a tempestade num raiar de emoções.

Numa sinfonia esfuziante
componho a pauta da vida
consumindo cada elemento existente em ti.
De forma desajustada percorro a tua seiva
e nela permaneço estado ébrio de luz.

terça-feira, dezembro 05, 2006

Opressão





Cansada, de ouvir vozes oprimidas, rostos sem afecto, sem impressão, são como doença sem diagnóstico.
Descurados se encontram, tentam iludir ideais que as suas próprias mentes antagonizam.
Imagens secas sem percepção, analisadas macroscopicamente, coradas por um reles banho de devassidão.
Olhares fixos perante uma menina que contesta o aclamar do seu ser.
Deixem-me viver, senão me querem amar, continuarei refugiada na minha realidade onírica.



segunda-feira, dezembro 04, 2006

Even after all




Momentos que são recriados em imagens, palpitam naquele anoitecer, em que as águas mortas assistiram ao despertar de sentimentos que se encontravam em cativeiro.
Sentados num semicírculo onde se iniciou a intriga, aguardo pelo seu desfecho.
Um sorriso que brotou em mim, o teu que insiste no meu pensamento, aquela lua encoberta que teimava em não percorrer a direcção do meu olhar.
Fez-se a noite, e nela se adivinhava que tudo iria desmoronar, e assim se realizou…
Uma tarde em que o lago acompanhou os meus sonhos, o circulo quebrou-se.

Mais um adeus….

O meu sorriso será sempre belo!





segunda-feira, novembro 20, 2006

Ilusão



Surges no meu sonho, nele está a ilusão de um dia voltar a encontrar-te.
Tentei fazer a apoptose do teu ser no meu pensamento, mas teu sorriso ainda permanece de forma constante em mim.
As cartas ditam o nosso desfecho, sinto-me esquartejada em ínfimas partes que se perdem num fundo transparente.
Tentam dissecar o cerne do meu ser,com falsas identidades,com palavras que desaguam num leito ressequido.
A necrose dos sentimentos desfaz-se, liquidificando-se em partículas odorantes daquele teu cheiro impregnado em mim.
A desvanecer de ti....

domingo, novembro 12, 2006

Indiferença


Que indiferença perante a vida activa pela a qual nos regemos.

Sob a luz obscurecida, plantam-se delgadas passadas que foram arrastadas pelo cheiro mundano onde breves suspiros tentam suster o límpido carmim.

Vorazes são as gargalhadas, ficando impunes os olhares desatentos, despreocupados com o meio que vulgariza a podridão do nosso lar.

O ciúme espreita por entre a calha, tendo efeito mordaz naquele em que no seu estado imperioso atravessa tempestades.

Somos fotografias do esteriótipo banal que incendeia fragas adormecidas.

Relembrar e esquecer, é um furto do nosso próprio pensamento.



sexta-feira, novembro 10, 2006

A insustentável leveza


A insustentável leveza do ser, que percorre os poros levianos do corpo.
Mentes fadadas com a perdição, mãos que não sentem o jasmim da pele, vislumbrando-se perante o desejo adoçicado, que se personifica na ilusao de um sentido.
A matéria não se une, o sentimento que deixa um rasto vago inerte a paixao.
A atmosfera que ladeia as almas transtornadas, cintila austeramente pela unidade de uma só melodia que apazigue os gritos desamparados.

Semblante







Na penumbra da escuridão encontra-se a luz que desenha a imagem de um rosto transfigurado no surrealismo da loucura! O semblante que se afoga no escuro, o olhar que remete no infinito, que se encontra perdido entre o vago, e o inerte, a mulher que ali emurcheceu, e permaneceu no cristalino olhar.

quinta-feira, novembro 09, 2006

Entorpecida


Entorpecidas linhas que prefazem o meu destino! Pela cidade boémia praguejo os meus andarilhos de fêmea palpitante! Meu corpo translúcido afoga-se no suor árido que provoca a devastidão! Danças obscenas procuram o vazio, onde se possam alojar e soltar a devassidade existente em mim! Olhares empobrecidos de falsa tentação que invadem meu espaço, que tormentam as minhas carnes vulneráveis ao prazer! Desprotegida, encontro-me desfigurada na minha carcassa por frágeis freios que me sustentam!
Quem me abraça e cuida de mim?